Quantas músicas tem um EP? Montar um EP de cinco faixas com um só produtor

Saber quantas músicas tem um EP é a primeira decisão que condiciona tudo o resto: o orçamento, o calendário de gravação e a forma como o projeto se vende. Um EP são de quatro a seis faixas, e cinco é o número com que a maioria fica, porque é a duração mais curta que prova que sabes fazer isto mais do que uma vez. Um single mostra uma ideia. Um EP mostra um mundo.
Fazê-lo com um só produtor em vez de cinco muda as contas. Gravas numa sala, com um som de bateria e um conjunto de ficheiros, e o disco soa a disco em vez de soar a uma lista de audições. É a versão que custa menos e a que se aguenta melhor.
Quantas músicas tem um EP?
Cinco, na maioria dos casos. As plataformas não controlam a etiqueta, por isso o número vem do uso do formato: com poucas parece um single com enchimento, com muitas passa a ser um álbum que ninguém termina.
- Três ou quatro músicas funciona quando todas são fortes e queres andar depressa. Vende-se mal se duas dizem a mesma coisa.
- Cinco músicas é o ponto certo: abertura, single, uma mudança de tempo, uma pessoal e um fecho. Cerca de dezassete minutos de música.
- Seis ou sete só se a sétima ganhar o lugar. A partir daí, chama-lhe álbum e trata o lançamento de outra maneira.
O teste prático é direto: nomeia as cinco faixas e diz o que cada uma faz que as outras não fazem. Se duas fazem o mesmo trabalho, tens quatro músicas e uma a mais.
Um produtor, cinco beats: porque ganha
Cinco beats de cinco produtores costuma significar cinco sons de bateria, cinco cadeias de mistura e cinco ideias do que é um refrão. Acabas a misturar um EP que luta consigo mesmo, e cada licença traz as suas regras de crédito, limites de streams e stems.
Um só produtor dá-te uma paleta coerente. O mesmo engenheiro que grava a bateria da faixa um pode responder com uma variação na quatro, e quando pedes os trackouts os ficheiros encaixam. Abre também a conversa do pacote: cinco beats, um acordo, um preço. É uma negociação mais pequena do que cinco compras separadas e costuma sair mais barata por beat.
Lê as condições de licenciamento antes de fechar um pacote, para saberes o que cada licença permite em streams, vídeos e concertos.
O que as cinco faixas devem fazer
Um EP precisa de forma, não de cinco canções que acabaram por acaso. Antes de comprares seja o que for, escreve o papel de cada lugar:
- Faixa um: fixa o mundo nos primeiros dez segundos. Intro curta ou direto ao refrão.
- Faixa dois: é o single. A que mandarias a um desconhecido.
- Faixa três: muda alguma coisa, o tempo, o ambiente ou a voz na sala.
- Faixa quatro: é a que te importa mais, a razão do projeto.
- Faixa cinco: fecha e deixa uma porta aberta para o lançamento seguinte.
Escreve essa lista antes de ires à procura de instrumentais. Os produtores fazem beats a partir de um pedido, e um pedido com cinco papéis dentro dá um pacote melhor do que uma mensagem a dizer que queres algo escuro.
A ordem da tracklist
A primeira faixa é uma decisão sobre a atenção, e quase todos os primeiros EP a gastam numa intro que se salta. Põe lá a tua segunda melhor canção. Um desconhecido dá-te quinze segundos, e o julgamento acontece na abertura.
Não ponhas as duas faixas mais parecidas seguidas. Mete a mudança de tempo a meio da primeira face, para que quem já decidiu que gosta de ti continue a ouvir. Guarda a mais calma ou a mais estranha para a quarta posição, onde a queda de energia se lê como intenção e não como erro.
Depois ouve uma vez do princípio ao fim, sem saltar e de pé. Se pegares no telemóvel duas vezes no mesmo ponto, o problema é a ordem e não a canção.
Orçamento para cinco beats
Dois caminhos. Os leases de cinco beats mantêm o custo inicial baixo mas trazem limites de streams e uma linha de crédito, e precisas de um por cada faixa. Um exclusivo numa faixa custa mais e dá-te o ficheiro para sempre, o que só faz sentido se vais empurrar essa canção durante anos.
Para um primeiro EP, cinco leases do mesmo produtor é o gasto sensato. Pede preço de pacote numa só mensagem, nomeia os cinco beats e o total que podes pagar, e pergunta se os trackouts vão incluídos. Se o produtor só vende exclusivos, pergunta quanto custa o conjunto e não um beat sozinho, porque a resposta costuma ser um lote que ninguém anunciou.
Seja qual for o acordo, põe-no por escrito: que faixas, que licença, o que o crédito tem de dizer e se os beats podem ser usados em vídeos. Dois parágrafos de email bastam. Os splits das canções combinam-se nessa mesma semana, não depois do lançamento.
Gravar e publicar por ordem
Grava as cinco vozes antes de misturares uma. A voz assenta em três sessões, e um disco em que a faixa um foi cortada um mês antes da cinco soa a dois artistas diferentes. Mesma sala, mesmo engenheiro, mesmos ajustes.
Mistura primeiro o single para aprenderes como soa o disco e aplica depois essa cadeia ao resto. Publica quando a capa, o distribuidor e a data estiverem fechados, e mantém a capa simples: cinco segundos de legibilidade no telemóvel valem mais do que uma capa cheia. A mesma disciplina vale para o papel: um ficheiro de licença por faixa e uma pasta com a prova de compra, guardada onde a encontres dois anos depois.
Um beat como Mojito é o tipo de instrumental que faz um EP de cinco faixas parecer uma só noite: textura de vinil poeirento, bateria cheia de aro e dois 808 que deixam ao rapper uma faixa larga ao centro. Fica bem como faixa três ou quatro, onde o ambiente muda e o disco deixa de soar a cinco tentativas da mesma canção.
Perguntas frequentes
Quantas músicas deve ter um primeiro EP?
Cinco. Mostra registo sem pedir meia hora a quem te ouve pela primeira vez, e dá-te material suficiente para apresentar a playlists e imprensa sem encher.
Cinco músicas é um EP ou um álbum?
Um EP. Os álbuns começam nas oito ou nove faixas, e a indústria trata como EP tudo o que fica abaixo de meia hora, diga o que disser o papel.
Quanto tempo deve durar um EP?
Entre quinze e vinte minutos. Cinco faixas de três a quatro minutos cabem nessa janela, e um EP mais curto está bem desde que nada soe a enchimento.
Preciso de uma licença por cada beat?
Sim, a não ser que o produtor venda um pacote com um só acordo. Cada faixa precisa da sua licença, por isso confirma que as condições cobrem cinco canções e pede os ficheiros com nomes claros.
Posso lançar um EP com beats em lease?
Podes, dentro dos limites do lease. Vigia o teto de streams e a linha de crédito, e guarda a prova de compra: distribuidores e plataformas podem pedi-la se aparecer uma reivindicação.
Se já tens a forma na cabeça e te faltam os instrumentais, começa pelos beats escuros ou abre o catálogo completo e faz uma lista curta de cinco que possam viver na mesma sala.

